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Comportamento evita obesidade (ou sua piora), mas não é tratamento

Data : 12 de setembro de 2019

Pesquisa aponta que 56 em cada 100 brasileiros adultos estão com excesso de peso, enquanto um em cada cinco estão obesos

Dados divulgados há algumas semanas pelo Ministério da Saúde contemplando o intervalo entre os anos de 2006 e 2018 apontaram aumento de 30,8% (42,6% para 55,7%) na prevalência de adultos com excesso de peso e de 68% (11,8 % para 19,8%) daqueles com obesidade. Em números mais objetivos as informações colhidas pelo Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por Inquérito Telefônico) apontam que 56 em cada 100 brasileiros adultos estão com excesso de peso, enquanto um em cada cinco estão categorizados como obesos.

 

O fato de ter havido uma estabilização nas prevalências de sobrepeso e obesidade em 2015 e 2016 fez com que fosse alardeada uma relação causa-efeito que seria resultante de mudanças de comportamento observadas desde o início do estudo em 2006. Tais alterações comportamentais se perpetuam e vão se ampliando continuamente, merecendo destaque os aumentos de 15,5% no consumo de frutas e hortaliças e 25% na prática de exercícios, enquanto o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas declinou em 53,4%.

O que parece não estar sendo apreciado é o fato de que as boas atitudes evitam o ganho de peso, mas não o tratam, o processo não é revertido, para isso necessitamos de outras ferramentas.

 

O moto-contínuo da obesidade

Se para a evolução de nossa espécie nos fez bem a capacidade de guardarmos energia em depósitos de gorduras em nossos corpos, atualmente o seu excesso patrocina o abreviamento de nossas existências, com comprometimento do bem-estar. É imperativo que procuremos desvendar e combater as causas ambientais, comportamentais e eventualmente infecciosas para o ganho exagerado de peso perante inúmeras suscetibilidades genéticas, enquanto o entendimento do moto-contínuo ao qual se submete o organismo em sua trajetória para obesidade torna claro a necessidade de intervenções. 

 

À medida que aumentam os depósitos gordurosos existe acréscimo da gordura visceral, aquela dentro do abdômen, entre as vísceras e dentro delas (exemplo: esteatose hepática), extremamente mobilizável e de metabolismo dinâmico, sendo constantemente formada e decomposta, envolvendo um cenário de substâncias nocivas.